Nova criação d'Orfeu AC | digressão a partir de maio 2018

O duo entre o violino e a viola d’arco protagoniza um dos conjuntos mais cúmplices da história da música. A sua familiaridade física, que lhes concebe uma semelhança de texturas e técnicas musicais, foi explorada ao longo dos séculos por inúmeros compositores e intérpretes. Manuel Maio, violinista, e José Valente, violetista, conhecidos pela flexibilidade linguística e irreverência criativa, sendo ambos também compositores premiados, associam-se para formar “Valente Maio”. Um duo, um encontro entre o violino e a viola que viaja entre múltiplos estilos, suscitando uma entusiasmante mistura entre virtuosismo e sensibilidade, entre o 'clássico' e o 'jazz', entre o que se conhece destes dois instrumentos e aquilo que, por eles, há-de vir.

O concerto registará uma confluência entre contextos, de uma conversa pertinente e atual entre a tradição e a contemporaneidade, protagonizada por uma formação instrumental cheia de potencialidade para explorar. Prevê-se o recurso, embora escassamente e de forma muito criteriosa, à utilização de loopstation e pedais de efeitos, técnicas que ambos os intérpretes desenvolvem noutros seus projetos individuais ou coletivos. Mas Valente Maio será um concerto de dimensão essencialmente acústica. Por fim, este projeto musical não dispensará uma dimensão cénica, na exploração visual dos dois instrumentos, das suas formas e alusões, de subtil teatralidade. Esta nova Criação d'Orfeu AC conjuga os vários cruzamentos de universos da sua ação criativa.

Fotos
Agenda

2019

18 abril | 22h00
Quintas de Leitura, Teatro do Campo Alegre, PORTO

Ficha técnica

50’ | M/12

José Valente | viola d’arco
Manuel Maio | violino

Gonçalo Abade | direção técnica
Luís Fernandes | apoio cénico

Vídeo
Sobre

Este é um concerto instrumental, para duo de violino e viola d’arco, com um reportório composto por obras originais - e inéditas para este projeto - de ambos os autores-instrumentistas. “Valente Maio” desenvolve-se, primeiramente, dentro da relação instrumental já conhecida. Contudo, a enunciada tradição de intenções e consequências artísticas que nos remete para um convívio sonoro geralmente construído dentro de contextos designados “clássicos”, neste caso liberta-nos das limitações estéticas do estilo, promovendo assim uma exuberância de possibilidades e alusões, na definição de um idioma sonoro influenciado por todas as músicas, de todos os tempos. Apontando também para a música tradicional portuguesa, esse universo de diversidade sempre por explorar, acicatando uma genuinidade original. E se o diálogo entre o violino e a viola promovesse a inclusão de sonoridades diferentes, sendo influenciado por outras tendências como a música do mundo, o jazz ou o folk, sem abandonar as qualidades expressivas oferecidas pelos hábitos da música de câmara que caracterizam esta junção? E porque não apontar este célebre duo para a música tradicional portuguesa (esse universo de diversidade etnográfica), acicatando uma genuinidade original, cozinhada precisamente pela perfeita combinação entre todos os estilos mencionados: a música “clássica”, o jazz, o folk, outras músicas do mundo e a música portuguesa. Ou seja, porque não explorar esta formação musical experiente no seio da variedade cultural que tem desenhado este século?

O grande desafio deste duo é exatamente a reunião de toda esta exuberância de estilos e alusões, na definição de um idioma interessante e transparente que integra a multiplicidade estética proposta e mantém o rigor que distingue a música erudita.

José Valente

Compositor e violetista. Doutorado em Arte Contemporânea com distinção e por unanimidade pela Universidade de Coimbra. Prémios: Menção Honrosa no Prémio de Composição Lopes-Graça 2009; vencedor do concurso de projetos artísticos Serralves em Festa 2010; Novo Talento Fnac 2014; único português detentor do título The Hannah S. and Samuel A. Cohn Memorial Foundation Endowed Fellowship, recebido após realizar residência artística na Djerassi Residency Artists Program, na Califórnia, EUA. Foi solista no Carnegie Hall, a convite de Paquito d’Rivera. Também trabalhou com Dave Douglas, Don Byron, Alberto Conde, Shakir Kahn, entre outros. Em concerto destaca: Dizzy’s Club at Lincoln Center, Encontros Internacionais de Jazz de Coimbra, Fundação Serralves, Festival Paredes de Coura, Festival Imaxinasons, Fundação Calouste Gulbenkian, Teatro Maria Matos, Union Square Park de Nova Iorque (concerto a solo). O seu disco “Os Pássaros estão estragados” (2015, 4 estrelas na revista Jazz.pt) foi considerado um dos discos do ano pelo crítico Rui Eduardo Paes. Participa frequentemente em projetos multidisciplinares com vários artistas da cena contemporânea portuguesa.

Manuel Maio

Licenciado em violino pela ESMAE, Porto. Estudou Jazz no Centre des Musiques Didier Lockwood, França. É Mestre em Ensino da Música pela Universidade de Aveiro. Fundador de “A Presença das Formigas”, com que venceu o Prémio Zeca Afonso no Festival Cantar Abril 2009. Em residência artística no Centro Musibéria em Serpa, gravou o disco “Pé de Vento” (2014), sucessor de “Ciclorama” (2011). Integrou os projetos Fil’Mus (ACERT) e Contracorrente (d’Orfeu AC) para os quais compôs música original. Com o último, ganhou o Prémio Adriano Correia de Oliveira no Festival Cantar Abril 2013 com um arranjo de sua autoria. Produziu o disco “14 Canções do Espetáculo A Viagem do Elefante” da ACERT, com música de Luis Pastor e poemas de José Saramago. Integrou o projeto transnacional FolkMus. Compôs a música original do espetáculo para bebés “Conchas” (uma co-produção internacional Portugal/Noruega) e do espetáculo "Tia Graça - toda a gente devia ter uma".

Historial

2018
27 abril | 22h00
[Ante-Estreia] Espaço d'Orfeu, ÁGUEDA